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Edição #006
O Ativo Que Sobe Quando Tudo Cai
Em 2008, enquanto ações caíam 50%, ouro subia 25%. Isso é correlação negativa.
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Harry Markowitz, ao receber o Nobel de Economia em 1990, disse que a diversificação é "o único almoço grátis em finanças". Mas diversificação não significa ter muitos ativos. Significa ter ativos que se comportam de maneira diferente uns dos outros.
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"Diversificação é o único almoço grátis em finanças."
~ Harry Markowitz, Nobel de Economia (1990)
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A palavra técnica é correlação — e o número que importa é negativo.
Dois ativos com correlação positiva perfeita (+1,0) sobem e descem juntos. Ter os dois é como ter um só, em dose dupla. Dois ativos com correlação negativa (−1,0) se movem em direções opostas. Quando um cai, o outro tende a subir. É nesse movimento contrário que mora a proteção real de um portfólio.
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O conceito não é abstrato. Ele tem consequências práticas e mensuráveis. Em toda grande crise dos últimos 50 anos, os investidores que sobreviveram melhor não foram os que previram a crise — foram os que tinham ativos descorrelacionados na carteira.
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Os números falam por si. Veja o comportamento de três classes de ativos em momentos de estresse agudo:
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| Período de Crise |
S&P 500 |
Ouro |
Treasuries 10Y |
| Crise 2008 (set–fev) |
−46,1% |
+25,5% |
+20,1% |
| Crise da Eurozona 2011 |
−16,0% |
+9,4% |
+16,6% |
| Covid mar/2020 |
−33,8% |
−3,1% |
+8,2% |
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O ouro não sobe sempre que ações caem — a correlação não é −1,0 perfeita. No longo prazo, ouro e S&P 500 têm correlação próxima de +0,05 — praticamente zero, quase independentes. Mas nos momentos de maior estresse, quando a correlação importa mais, o ouro tende a se descolar positivamente.
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É exatamente quando você mais precisa de proteção que o ouro tende a performar. Não é coincidência. É a dinâmica de flight to safety — fuga para segurança.
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No Brasil, a dinâmica entre Tesouro IPCA+ e Ibovespa revela um padrão semelhante. Entre 2016 e 2023, a correlação entre IMA-B (índice de títulos IPCA+) e Ibovespa ficou em torno de +0,15 a +0,30 — positiva, mas baixa. Em momentos de aversão a risco doméstico, como maio de 2017 (Joesley Day) e março de 2020, os títulos indexados à inflação tiveram quedas menores e recuperações mais rápidas.
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A pesquisa de Brinson, Hood e Beebower (1986) mostrou que mais de 90% da variação dos retornos de um portfólio ao longo do tempo vem da alocação entre classes de ativos — não da escolha de ativos individuais.
A correlação entre essas classes é o que determina se a sua alocação realmente funciona como proteção ou se é apenas uma ilusão de diversificação.
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No contexto brasileiro, construir uma carteira com correlação negativa efetiva envolve combinar quatro blocos:
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Os quatro blocos descorrelacionados
Distribuição por classe
Renda Variável BR — BOVA11 / PIBB11 |
30% |
Renda Fixa IPCA+ — Tesouro IPCA+ 2035/2045 |
35% |
Internacional — IVVB11 / ETFs globais |
25% |
Ouro — GOLD11 / Fundo de ouro |
10% |
O ouro não gera renda, não paga dividendos — mas tende a performar exatamente quando todo o resto está em queda. É um seguro, não um investimento de crescimento.
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Renda variável doméstica é o motor de retorno de longo prazo — mas também a maior fonte de estresse emocional. Alta volatilidade, alta correlação com sentimento doméstico.
Renda fixa indexada à inflação oferece proteção contra inflação com correlação baixa ao Ibovespa. Quem carrega até o vencimento tem retorno real garantido.
Exposição internacional tem correlação moderada com o mercado brasileiro, mas é denominada em dólar. Entre 2014 e 2016, enquanto o Ibovespa em reais oscilava de forma volátil, o IVVB11 subiu consistentemente, puxado pela desvalorização do real.
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O erro mais comum é montar uma carteira com cinco fundos de ações brasileiras e achar que está diversificado. Cinco ações do Ibovespa têm correlação entre si de +0,60 a +0,80. É diversificação de nome, não de fato.
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A proteção real vem de cruzar classes de ativos com correlações baixas ou negativas — não de multiplicar ativos dentro da mesma classe.
Revise sua carteira. Calcule a correlação entre seus ativos principais nos últimos cinco anos. Se todos se movem juntos, você não tem uma carteira diversificada. Você tem uma aposta concentrada com vários nomes.
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Invista com princípios. — HC
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☞ Quiz da edição
Verdadeiro ou Falso: Segundo a pesquisa de Brinson, Hood e Beebower (1986), mais de 90% da variação dos retornos de um portfólio ao longo do tempo é explicada pela escolha de ativos individuais, e não pela alocação entre classes de ativos.
Clique para descobrir se acertou.
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