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Edição #011
A Carteira Que Sobreviveu a Todas as Crises
25% em ações, 25% em bonds, 25% em ouro, 25% em caixa. Simples demais, mas funciona.
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Em 1981, Harry Browne, analista financeiro, autor e candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Libertário, propôs uma carteira que desafiava toda a sabedoria convencional de Wall Street. Quatro ativos. Pesos iguais. Sem gestão ativa. Sem previsões. Sem tentar adivinhar o futuro.
A Carteira Permanente divide o patrimônio em quatro partes iguais de 25%: ações, títulos de longo prazo, ouro e caixa. A tese de Browne era elegante: a economia só pode estar em quatro estados, prosperidade, deflação, inflação ou recessão. Cada um dos quatro ativos prospera em exatamente um desses cenários.
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Ações prosperam na prosperidade. Títulos de longo prazo prosperam na deflação. Ouro prospera na inflação. Caixa prospera na recessão. Não importa o que aconteça, um quarto da sua carteira está posicionado para se beneficiar. |
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A premissa é modesta. Browne não prometia retornos espetaculares. Prometia sobrevivência. E ao longo de cinco décadas, a promessa foi cumprida.
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A Carteira Permanente americana (25% S&P 500, 25% Treasuries 30Y, 25% ouro, 25% T-Bills) tem um histórico notável entre 1972 e 2023:
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| Métrica |
Cart. Permanente |
S&P 500 |
| Retorno anualizado (nominal) |
8,2% |
10,3% |
| Volatilidade anual |
7,1% |
15,4% |
| Pior ano |
−4,1% (1981) |
−37,0% (2008) |
| Sharpe (retorno/risco) |
0,52 |
0,40 |
| Anos negativos (em 52) |
4 |
12 |
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O retorno da Carteira Permanente é menor que o do S&P 500. Isso é esperado, você está abrindo mão de retorno em troca de estabilidade. Mas o índice de Sharpe é superior. E a queda máxima é dramaticamente menor.
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Em 2008, enquanto quem tinha 100% em ações perdia 37%, a Carteira Permanente perdeu menos de 1%. |
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A performance em diferentes regimes econômicos ilustra a tese de Browne:
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| Regime |
Período |
Ativo Líder |
Resultado |
| Inflação alta |
1977–1980 |
Ouro (+130%) |
+14,3% a.a. |
| Prosperidade |
1995–1999 |
Ações (+228%) |
+10,8% a.a. |
| Deflação/crise |
2008–2009 |
Bonds (+27%) |
−0,8% total |
| Estagflação |
2022 |
Ouro (+0,4%) |
−10,6% |
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Para o investidor real, que tem medo, que perde o sono, que vende no pânico, a carteira com menor queda máxima é frequentemente a que entrega maior retorno no final, porque é a que ele consegue manter. |
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Adaptar a Carteira Permanente ao Brasil exige substituir instrumentos, não princípios. A lógica de quatro blocos para quatro cenários permanece idêntica.
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Carteira Permanente brasileira
Os quatro blocos
Ações, BOVA11 (15%) + IVVB11 (10%) | 25% |
Títulos longos, Tesouro IPCA+ 2045 | 25% |
Ouro, GOLD11 ou fundo de ouro | 25% |
Caixa, Tesouro Selic / CDB liquidez diária | 25% |
Rebalanceamento: Browne recomendava rebalancear apenas quando um bloco ultrapassasse 35% ou caísse abaixo de 15%. Na prática, isso acontece 1–2 vezes por ano. Nos demais dias, você não faz nada.
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Bloco 1, Ações. O componente de ações é o motor de crescimento nos períodos de prosperidade. A inclusão de IVVB11 adiciona diversificação geográfica e exposição cambial.
Bloco 2, Títulos de longo prazo. O Tesouro IPCA+ de longo prazo tem alta sensibilidade a mudanças na taxa de juros (duration longa) e se valoriza quando a curva de juros fecha. Além disso, oferece proteção contra inflação que os Treasuries americanos não têm.
Bloco 3, Ouro. Nos últimos 20 anos, o ouro em reais subiu mais de 600%, em grande parte devido à desvalorização do real, exatamente o tipo de proteção que o investidor brasileiro precisa.
Bloco 4, Caixa. Esse bloco é o mais subestimado. Ele não existe para "render". Existe para preservar capital, fornecer liquidez para rebalanceamento e reduzir a volatilidade total da carteira.
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A Carteira Permanente não é para quem quer maximizar retorno. É para quem quer maximizar a probabilidade de chegar lá, inteiro, sem ter vendido no pânico, sem ter abandonado a estratégia. |
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Em investimentos, a melhor carteira não é a que tem o maior retorno teórico. É a que você consegue manter por 30 anos.
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Invista com princípios., HC |
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☞ Quiz da edição
Verdadeiro ou Falso: Entre 1972 e 2023, a Carteira Permanente americana registrou anos negativos em apenas 4 dos 52 anos analisados, enquanto o S&P 500 teve 12 anos negativos no mesmo período.
Clique para descobrir se acertou.
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