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Edição #017
O Mundo Além do Ibovespa
Ficar 100% no Brasil é apostar tudo em 1% do mercado global de ações.
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Concentrar a carteira inteira no Brasil parece lealdade, mas é só estatística mal lida. O mercado local é uma fatia mínima do bolo acionário global. Os números mostram o tamanho do que fica de fora.
Existe um instinto que parece prudência e é o contrário. Você investe no que conhece, na bolsa do seu país, nas empresas cujos nomes vê todo dia. Parece seguro ficar perto de casa, no mercado que você entende. |
Esse instinto tem nome: home bias. O investidor brasileiro típico mantém quase toda a carteira em ativos locais, como se o Brasil fosse o centro do mundo financeiro. Não é. O país representa cerca de 1 a 2% do valor de mercado de todas as ações do planeta. |
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Ficar 100% no Brasil não é jogar em casa. É colocar toda a carteira numa fatia de mais ou menos 1% do mercado global, e ainda por cima a fatia mais volátil, a de um emergente pequeno. |
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A questão não é se o Brasil é bom ou ruim. É de proporção. Concentrar tudo num único mercado, ainda que seja o seu, é amarrar o seu futuro financeiro ao destino de um só país e de uma só moeda. Diversificar país e moeda não é desprezo pelo Brasil, é cuidado com o seu próprio risco. |
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Pense no mundo das ações como um bolo inteiro. Os Estados Unidos sozinhos respondem por mais da metade desse bolo. Europa, Japão e os demais desenvolvidos ocupam outra fatia grande. Todos os emergentes juntos dividem o resto, e o Brasil é só um pedacinho dentro desse resto. |
Quando você fica 100% local, está dizendo que esse 1% vai se sair melhor que os outros 99%. Pode acontecer em alguns anos, claro. Mas apostar a carteira inteira nisso, todo ano, é risco de país e risco de moeda empilhados numa única ponta. |
| Há dois riscos distintos aqui, e o home bias dobra os dois. O risco de país é o de uma só economia, com sua política, seus juros e seus solavancos. O risco de moeda é o do real: quando ele se desvaloriza, seu patrimônio em dólares encolhe sem que nenhuma ação tenha caído. |
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A tabela abaixo mostra, de forma aproximada, como o mundo das ações se reparte e o que isso implica para quem fica só no Brasil: |
| Bloco | Fatia aproximada das ações globais | O que o brasileiro ignora ao ficar local | | Estados Unidos | Mais da metade | A maior bolsa do mundo | | Outros desenvolvidos | Cerca de um terço | Europa, Japão, diversificação madura | | Demais emergentes | Fatia menor | Crescimento fora do Brasil | | Brasil | Cerca de 1 a 2% | (é só isso que você tem) |
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Concentrar tudo no Brasil não aumenta o seu retorno esperado, só aumenta o seu risco. Você abre mão de diversificar país e moeda sem ganhar nada em troca por isso. |
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A diversificação internacional não promete retorno maior. Promete algo mais valioso: que um problema localizado, uma crise política, um choque cambial, uma recessão doméstica, não derrube a carteira inteira de uma vez. Quando uma parte sofre, a outra tende a segurar. |
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A boa notícia é que comprar o mundo ficou simples. O brasileiro hoje monta exposição internacional sem abrir conta lá fora, direto pelo home broker, dentro da própria alocação que já definiu. |
Vias para o brasileiro investir lá fora Da B3 ao mundo, sem sair do home broker ETF de índice global em reais, O IVVB11 replica o S&P 500 negociado na B3, em reais | Mais simples |
BDRs, Recibos de ações estrangeiras (Apple, Microsoft) negociados aqui | Empresa a empresa |
Fundos com investimento no exterior, O gestor cuida da exposição internacional por você | Delegado |
Conta e corretora no exterior, Acesso direto, mais controle e mais burocracia | Avançado |
Regra de ouro: a primeira fatia internacional não precisa ser sofisticada. Um único ETF amplo de mercado global já corrige a maior parte do home bias com um clique. |
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Não existe percentual mágico de exposição internacional. O ponto de partida é simples: sair de quase zero. Mesmo uma fatia modesta da carteira fora do Brasil já reduz, de forma relevante, a dependência de um único país e de uma única moeda. |
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Você não precisa virar 100% global de um dia para o outro. Precisa parar de ser 100% local. A diferença entre zero e uma fatia internacional é maior do que a diferença entre essa fatia e o dobro dela. |
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Há um caveat honesto. A exposição internacional adiciona risco cambial, e o câmbio é uma faca de dois gumes. Quando o real se desvaloriza, sua parte lá fora protege e valoriza em reais. Quando o real se fortalece, ela oscila contra você. Esse balanço é justamente o ponto: a moeda estrangeira protege na crise doméstica e custa um pouco de oscilação no caminho. É o preço de não ter tudo numa só ponta. |
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Invista com princípios., HC |
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Verdadeiro ou Falso: o Brasil representa cerca de metade do valor de mercado das ações do mundo.
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