Sponsored by

Alocação de Ativos

Edição #044

A Selic Sobe, Seu Tesouro Cai 8%

Dois títulos com a mesma taxa reagem de forma oposta a uma alta de juros. A diferença é a duration, e ela decide quanto o prefixado longo perde na marcação a mercado.

Leia ouvindo

Alocação de Ativos 

Spotify
Alocação de Ativos
 
 
I

O Princípio

 

Você compra dois títulos do Tesouro no mesmo dia, com a mesma taxa prefixada. Um vence em dois anos, o outro em dez. No papel, parecem primos. Aí a Selic sobe um ponto de surpresa, e você abre o aplicativo: o curto quase não se mexeu, o longo despencou. Mesma taxa, mesmo emissor, o governo, e mesmo assim reações opostas. A palavra que explica esse divórcio é uma só, duration.

Duration não é o prazo de vencimento, embora ande junto com ele. É a sensibilidade do preço do título a uma mudança nos juros. Um título prefixado é uma promessa de pagar valores fixos no futuro. Quando os juros de mercado sobem, o dinheiro que você vai receber lá na frente vale menos hoje, porque agora existe opção rendendo mais. O preço do título cai pra compensar. Quanto mais longe estão esses pagamentos, mais o desconto pesa.

 

A taxa que aparece na tela é a promessa de rendimento se você levar o título até o fim. A duration é outra coisa: é o quanto o preço dele balança no meio do caminho, cada vez que os juros se mexem. Uma coisa é o destino, a outra é a turbulência da viagem.

 

Por essa razão dois títulos de mesma taxa reagem tão diferente. O curto devolve o dinheiro logo, então a alta de juros afeta poucos pagamentos e por pouco tempo. O longo prende o seu capital numa taxa velha por dez anos enquanto o mercado passou a pagar mais, e o preço cai forte pra corrigir esse atraso todo de uma vez. A distância até o vencimento é o que multiplica o estrago.

E aqui mora o erro que quebra a paciência de tanto investidor de renda fixa. Ele compra o título achando que renda fixa é sinônimo de preço parado, vê o longo cair 8% num mês e entra em pânico, como se o governo tivesse dado calote. Não deu. A promessa continua de pé. O que caiu foi o preço no meio do caminho, e caiu justamente porque o prazo é longo.

 
 
⚖⚖⚖
 
 
II

A Matemática

 

Vamos pôr número, porque percentual solto não assusta ninguém. Uma regra de bolso boa o bastante diz que a queda aproximada do preço é a duration multiplicada pela variação dos juros. Um título com duration de dois anos, diante de uma alta de um ponto, cai cerca de 2%. Um com duration de oito anos, na mesma alta de um ponto, cai perto de 8%. Mesma alta de juros, quatro vezes o tombo, só por causa do prazo.

O sinal também vale pro outro lado, e é o que quase ninguém lembra. Se os juros caem um ponto, o longo sobe perto de 8% e o curto sobe uns 2%. Duration é uma alavanca de duas pontas: ela multiplica o ganho quando os juros cedem e multiplica a perda quando eles sobem. Quem compra prazo longo está apostando, sabendo ou não, na direção dos juros.

 
Prefixado (mesma taxa)DurationSe a Selic sobe 1 ponto
Vence em 2 anos~2 anosPreço cai cerca de 2%
Vence em 5 anos~4,5 anosPreço cai cerca de 4,5%
Vence em 10 anos~8 anosPreço cai cerca de 8%

Ilustração de ordem de grandeza, não projeção. A duration exata depende dos cupons e da taxa vigente, e a regra de bolso perde precisão em altas grandes de juros.

Repare que a duration de um título de dez anos não é dez, é perto de oito, porque parte dos juros vem sendo paga antes do fim. Mesmo assim, a conta é implacável: dobre o prazo e você mais ou menos dobra a sensibilidade. Não existe almoço grátis. A taxa maior que o longo costuma oferecer é o pagamento por você aguentar essa gangorra de preço no meio do caminho.

 

A taxa mais alta do título longo não é um presente, é um aluguel. O mercado te paga a mais pra você segurar o risco de o preço afundar se os juros subirem. Perseguir só a taxa, ignorando a duration, é aceitar o aluguel sem olhar o tamanho do risco que vem embutido.

 

O erro mental mais comum é comparar dois títulos só pela taxa na tela e escolher o de número maior. Mas 13% num título de dois anos e 13% num de dez anos são produtos completamente diferentes. O primeiro devolve seu capital rápido, com pouca oscilação. O segundo prende você por uma década e treme a cada reunião do Banco Central. A taxa é igual, o risco de marcação a mercado não é nem parecido.

 
 
⚖⚖⚖
 
 
III

A Aplicação

 

A primeira lição prática não é fugir do prazo longo, é casar o prazo do título com o seu objetivo. Se você vai usar o dinheiro em dois anos, um título que vence em dez te expõe a uma queda de preço bem na hora de resgatar. Se o objetivo é daqui a doze anos, aí sim o longo faz sentido, porque você tem fôlego pra ignorar a marcação a mercado e levar o papel até o fim, quando ele paga o combinado cheio.

A segunda é entender o que a marcação a mercado significa de verdade. Aquele vermelho de 8% no aplicativo é um preço de venda hoje, não uma perda realizada. Se você segurar o título até o vencimento, recebe exatamente a taxa contratada, tombo nenhum. A queda só vira prejuízo de verdade se você for obrigado a vender no fundo. Por essa razão prazo longo e dinheiro que você pode precisar cedo é uma combinação perigosa.

 

Marcação a mercado não é perda, é cotação. Vira perda no dia em que você vende no vermelho. Quem casa o prazo do título com a data em que vai precisar do dinheiro transforma a oscilação num detalhe que só aparece no extrato, nunca no bolso.

 

A terceira é usar a duration como termômetro de risco antes de comprar, não depois de levar o susto. Antes de escolher entre dois títulos, pergunte quanto cada um cai se os juros subirem um ponto. Se a resposta te tira o sono, o prazo é longo demais pra sua tolerância ou pro seu objetivo. É uma pergunta de dez segundos que evita o desespero de ver a carteira sangrar num ciclo de alta.

Existe ainda a questão de escalonar prazos em vez de concentrar num só. Distribuir o dinheiro entre títulos que vencem em datas diferentes, uma escada de vencimentos, dilui o efeito da duration. Parte da carteira reage pouco à alta de juros, parte reage mais, e você não fica refém de uma única aposta na direção da Selic. É diversificar no tempo, não só entre ativos.

No fim, a taxa mais alta da tela é a isca, e a duration é o anzol. O prefixado longo cai 8% numa alta de um ponto não porque é ruim, mas porque prende seu capital por muito tempo numa taxa que o mercado deixou pra trás. Quem escolhe pela taxa isolada acaba surpreendido pelo tombo. Quem escolhe pelo prazo que combina com seu objetivo converte a duration de armadilha em ferramenta.

 

O título longo recompensa quem tem horizonte longo e castiga quem tem pressa. A taxa é a mesma pros dois, o desfecho não. A estratégia não é caçar o número maior, é casar o prazo do papel com a data em que o dinheiro vira necessidade, e deixar a duration trabalhar a seu favor.

 
 

Invista com princípios.

 

Sua Jornada

Você lê a Alocação de Ativos há {{dias_de_leitor | 1}} dias

A cada dia que você permanece, abre, clica, avalia e responde o quiz, você ganha XP (experiência). Mais XP sobe seu nível.

{{nivel | 0}}
NÍVEL
{{rank_nome | Visitante}}
{{xp | 0}} XP · faltam {{xp_falta | 0}} pro Nível {{nivel_prox | 1}}
 
{{edicoes_lidas | 1}}
edições lidas
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
Quero subir meu nível →

Top {{top_pct | 100}}%: Posição {{pos_mes | 0}} na comunidade Alocação de Ativos nesse mês.

Quem banca a edição de hoje

His Father Got Parkinson's. He Built Robots Instead.

Clint Brauer grew up on his family's Kansas farm. His dad sprayed the same chemicals every American farmer sprays. Years later: Parkinson's. Clint walked away from a tech career to build a different way. Today his company, Greenfield Robotics, runs a patented fleet of autonomous bots that slice weeds with centimeter precision, day or night, herbicide-free. 

Greenfield is now opening shares to everyday investors under Reg A+. Reserve during Test the Waters and you lock in a 5% bonus that can grow to 20% the week the round goes live. The US has 250 million acres at stake.

Greenfield Robotics is Testing The Waters under tier 2 of Regulation A. No money or other consideration is being solicited, and if sent in response will not be accepted. No offer to buy the securities can be accepted and no part of the purchase price can be received until the offering statement filed by the company with the SEC has been qualified by the SEC. Any such offer may be withdrawn or revoked, without obligation or commitment of any kind, at any time before notice of acceptance given after the date of qualification. An indication of interest involves no obligation or commitment of any kind. “Reserving” shares is simply an indication of interest. There is no binding commitment for investors that reserve shares in this manner to ultimately invest and purchase the shares reserved of the company, or to purchase any shares of the company whatsoever.

Recomendação de Newsletter

Contra Maré

🌊 Contra Maré

Pare de nadar com o cardume

Todo dia, 06:06. Um viés cognitivo dissecado com humor ácido, pra você perceber a corrente que puxa todo mundo pro mesmo lado.

Quero Receber →

Como foi a edição de hoje?

Toque nas balanças pra avaliar:

⚖️⚖️⚖️⚖️⚖️  ótima ⚖️⚖️⚖️⚖️  boa ⚖️⚖️⚖️  ok ⚖️⚖️  ruim ⚖️  péssima

💬 Comentários da Comunidade

Nunca tinha entendido por que meu prefixado aparecia no vermelho sendo do governo. Agora fez sentido.

Marcelo A. · ma****@gmail.com · verificado

🧠 Quiz da edição

Segundo a tabela do texto, qual é a duration aproximada do prefixado que vence em 10 anos?

A10 anos
B5 anos
C8 anos
D2 anos

Resultado da última edição: 0% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

👀 Abra seu email às 10:10 e você receberá a próxima edição:

Próxima edição

Em 10 anos, a inflação come metade do seu CDB

Duas taxas parecem generosas no papel, e o poder de compra real conta outra história.

Invista com princípios. Festina lente.

ALOCAÇÃO DE ATIVOS

Princípios atemporais para investir melhor

📩 Cadastrar·💬 WhatsApp·📝 Pesquisa·📣 Anuncie

Keep Reading