Princípio · Renda Fixa

Taxa do Tesouro Direto: os 3 Tipos e Como Escolher

Alocação de Ativos #037 · Leitura de 5 minutos

Três ampulhetas de latão de tamanhos diferentes lado a lado, representando prazos distintos

Três títulos do Tesouro Direto carregam o mesmo carimbo do governo federal, o mesmo risco de crédito, e ainda assim reagem de formas opostas quando a taxa Selic muda de direção. Um dispara de preço, outro quase não se mexe, o terceiro pode cair de preço mesmo sendo do mesmo emissor. A taxa do Tesouro Direto que aparece na tela da corretora esconde essa diferença atrás de um nome só.

O Tesouro Direto reúne três famílias de título: o prefixado, o pós-fixado (o Tesouro Selic) e o IPCA+. Todos emitidos pelo Tesouro Nacional, todos listados lado a lado na mesma plataforma, todos com o mesmo risco soberano.

A diferença que importa não está no risco de calote, está na estrutura de remuneração. Cada tipo responde de um jeito diferente à mesma mudança de juros, e escolher sem entender essa mecânica é apostar sem saber em que se está apostando.

Os três tipos de Tesouro Direto

O Tesouro Selic, o pós-fixado, rende conforme a taxa básica de juros varia dia a dia. Se a Selic sobe, o rendimento sobe junto, quase sem oscilação de preço no meio do caminho.

O Tesouro Prefixado trava uma taxa fixa no momento da compra, por exemplo 11% ao ano, entregue até o vencimento independente do que acontecer com a Selic depois. É previsível se segurado até o fim, mas o preço dele oscila bastante enquanto o papel ainda está em carteira.

O Tesouro IPCA+ paga a inflação medida pelo IPCA mais uma taxa real fixa, algo como IPCA mais 6% ao ano. Protege o poder de compra por definição e ainda entrega um ganho real acima da inflação.

Prefixado, pós-fixado e IPCA+ não são três sabores do mesmo produto. São três apostas diferentes sobre o rumo dos juros, embrulhadas no mesmo papel de presente.

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A mecânica real: duration e reação ao juro

O que separa o comportamento dos três títulos tem nome técnico: duration. É o prazo médio em que o dinheiro investido retorna ao bolso do investidor, e funciona como uma alavanca de sensibilidade ao juro.

Quanto maior a duration, mais o preço do título balança quando a taxa de mercado muda. O Tesouro Selic tem duration praticamente nula na prática. O Tesouro Prefixado de prazo longo tem duration alta. O IPCA+ fica no meio, com uma parcela prefixada embutida que reage como o prefixado puro.

A tabela abaixo ilustra a reação de cada título a uma alta de 2 pontos percentuais na Selic, de 11% para 13%:

TítuloReação ao juro subir 2 pontosMotivo
Tesouro Selicpreço estável, passa a render maisduration quase zero
Tesouro Prefixado (5 anos)preço cai, perto de 7% se vendido antesduration alta, taxa travada
Tesouro IPCA+ (2035)preço cai no curto prazo, mas corrige a inflaçãoduration longa embutida
Queda de preço estimada com alta de 2 pontos na Selic (ilustrativo)
Tesouro Selic~0%
Tesouro Prefixado 5 anos~7%
Tesouro IPCA+ 2035~11%

O total investido não muda com essa oscilação, só o preço de revenda antes do vencimento. Quem segura o papel até o fim recebe exatamente a taxa combinada na compra, seja ela nominal ou real.

O erro comum: escolher um único tipo sem perceber a aposta implícita

O erro mais comum é concentrar toda a reserva num único tipo de título, achando que está sendo conservador. Só prefixado é apostar que a Selic vai cair. Só pós-fixado é apostar que vai subir ou ficar em patamar alto. Só IPCA+ é apostar que a inflação vai corroer o poder de compra ao longo do tempo.

Quem compra achando que Tesouro Direto é sempre a opção mais segura ignora que a marcação a mercado só vira prejuízo real se o papel for vendido antes do vencimento.

Segurar até o fim entrega exatamente a taxa combinada na compra, nominal no prefixado, real no IPCA+, variável no Tesouro Selic. O risco não está no emissor, está no descasamento entre o prazo do título e o prazo em que o dinheiro pode ser precisado.

Como escolher o Tesouro certo para cada objetivo

A escolha não precisa ser exclusiva. Distribuir entre os três tipos, casando o prazo do título com o prazo do objetivo, resolve boa parte do problema.

O Tesouro Selic funciona como reserva de emergência e caixa de curto prazo, porque o preço quase não oscila e o dinheiro pode ser resgatado sem susto. O IPCA+ serve de âncora para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, porque garante ganho real acima da inflação.

O Prefixado entra como fatia tática e menor, mais interessante quando as taxas de mercado estão visivelmente altas. Antes de comprar qualquer um dos três, vale conferir a taxa vigente na plataforma do Tesouro Direto, porque ela muda diariamente com o mercado.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre Tesouro Selic, Prefixado e IPCA+?

O Tesouro Selic rende conforme a taxa básica de juros varia dia a dia. O Prefixado trava uma taxa fixa até o vencimento. O IPCA+ paga a inflação mais uma taxa real fixa. Cada um reage de um jeito diferente a uma mudança na Selic, por causa da duration embutida no título.

Qual Tesouro Direto rende mais?

Depende do cenário de juros e do prazo até o vencimento. Não existe um tipo que rende mais em qualquer situação, existe o tipo mais adequado para cada objetivo e prazo. Comparar a taxa vigente de cada um na plataforma no momento da compra é o jeito confiável de decidir.

É seguro perder dinheiro no Tesouro Direto?

O risco de calote é mínimo, porque o emissor é o governo federal. O risco real é de mercado: vender um Prefixado ou um IPCA+ antes do vencimento, num momento em que a taxa subiu, pode devolver menos do que foi aportado. Quem segura até o vencimento recebe exatamente a taxa combinada na compra.

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